Este melão enganou-me bem!
quinta-feira, março 03, 2016
A capacidade de escolher o melão ideal, sem o abrir, é um mito. Embora haja a crença em pessoas talhadas para esta função, a única forma de saber se um melão é bom ou mau, é cortá-lo às talhadas e prová-lo. Saber escolher o melão certo: maduro, doce e sumarento, não é mais que uma mera questão de probabilidade matemática.
Há quem esteja convencido de que é capaz de tamanha proeza. Essas pessoas perdem quilos de tempo junto à bancada do melão, num exame que tem tanto de minucioso quanto de impreciso. É preciso ter muita paciência e boa vontade para tentar fazer parecer a escolha de uma melão uma ciência exacta. Palpam-lhes as pontas, sentem-lhes o aroma, tomam-lhes o peso, apertam-nos com as mãos e até há quem os unhe. O maltrato repete-se pelo número de sábios que se acha capaz, ao ponto de, a determinada altura, se confundir maduro com molestado.
Depois de uma auditoria profunda e demorada, estes especialistas seguram um na palma da mão, em bandeja, e dizem triunfantes: “Este melão é bom!”, numa espécie certificado de qualidade derradeiro, um carimbo que atesta, com autoridade perita, a excelência daquela peça de fruta. Sem necessidade de corte da casca de dois centímetros ou de prova, limitada apenas a capacidade premonitória que só está ao alcance de alguns.
Pode ser que acertem, pode ser que não e só se tira a teima quando se lhe tira a casca. Quando finalmente abrem o melão e, pela prova, comprovam que não acertaram, a justificação é quase sempre a mesma: “Este melão enganou-me bem!”. Não foi o melão que os enganou, eles é que andam enganados.
Já mapeamos o genoma humano, já confirmámos a teoria da relatividade e estamos à procura da partícula elementar do Universo, mas no que toca à escolha do melão ideal, a ciência ainda não chegou tão longe. Sem método possível, é provável que os supostos peritos na escolha de melão acertem a maior parte das vezes, dependendo sobretudo da qualidade da colheita.
O melhor mesmo é chegar à bancada, pegar aleatoriamente num melão e vir embora. Eu faço isto e, quando me venho embora, delicio-me com a cara de melão dos que ali estão há minutos, num dilema existencial.
O que é que ele sabe que eu não sei?
Só sei que nada sei e, para escolher melões, isso basta... O resto é probabilidade!
De heróis verdadeiros, está a vida cheia
quarta-feira, março 02, 2016
Nunca fui muito de super-heróis imaginários, que fazem tudo e mais alguma coisa com superpoderes que vêm não se sabe bem de onde. Desde muito novo que tenho heróis reais, que estão ao meu lado e que o único superpoder que têm é esse: o de estarem sempre à mão.
Até à ponta dos cabelos
domingo, fevereiro 28, 2016
Degustar a vida
quinta-feira, fevereiro 25, 2016
Queimo-me quase sempre que bebo café. É só na ponta da língua, mas incomoda para o resto do dia. Será que é por deixar a ponta da língua logo ali, à mercê do primeiro sorvo de café? Se calhar é isso. Mas é assim que se bebe café, não é? Fazendo-o percorrer toda a língua, deixando as papilas gustativas arrepiadas de tanto amargo. É o que mais gosto no café, do amargo.
No que toca a chocolate, não gosto dele amargo. O de leite é o meu preferido. O chocolate tem a vantagem de não queimar. Se queimasse, ficava com a língua estorricada, porque adoro deixá-lo a derreter na boca. Mastigar, nunca! As pessoas que mastigam o chocolate deviam ser multadas por uma brigada pantagruélica da degustação. O chocolate não se mastiga, nem se come, deixa-se derreter na boca e inundá-la de sabor. Tal como um bom vinho.
Um bom vinho não se bebe. Um bom vinho saboreia-se, prova-se, toma-se-lhe o aroma, devagar, bem devagarinho. Talvez seja por isso que, quando bebo um bom vinho, fico com a boca toda tingida. Os raios Sol dão cor à casca da uva, a casca empresta a cor ao vinho e o vinho tinge a minha boca. Quando bebo vinho não lhe tomo apenas o aroma e o sabor, mas a cor, e de olhos fechados.
Degustar vinho, chocolate e café, é uma lição constante de como devo viver a vida: com calma, bem devagarinho, a aproveitar cada momento, para lhe tomar o gosto por completo. E sabe tão bem inundar a boca de raios de Sol, daqueles que nos derretem, sem queimar a ponta da língua.
As salas de espera
quarta-feira, fevereiro 24, 2016
As salas de espera dos centros de saúde deixam-me ansioso. Esperar, por si só, já me deixa numa ânsia incontrolável, numa sala de espera, esse estado é exponenciado até à fronteira do tolerável. Não é pela espera, mas por tudo o que ali espera comigo: vírus, bactérias e todo o tipo de microorganismos desejosos por atacar.
Estas salas são de espera para nós e para todas esta bicheza, que ali está à espera de nos possuir o corpo, enquanto nos deixa a alma ansiosa e indecisa, sem saber que lugar escolher para cumprir a espera.
Há pouco paleio numa sala de espera, ao contrário de "tchins", que há em demasia e que são o sinal mais óbvios da possessão da bicharada. O que não há nestes "tchins-tchins" é vontade para o encosto. Atchim para aqui, atchim para ali... Chego-me para acolá, afasto-me para aqui, não há metro quadrado onde eu me sinta seguro.
Devia haver máscaras, daquelas dos ataques nucleares, com um mecanismo de alerta, nas salas de espera dos centros de saúde. Logo que fosse detectada a mais pequena presença de bicheza, soava uma sirene de emergência e toda a gente era obrigada a tapar a fuça. Se há sinais luminosos, nos parques subterrâneos, que alertam quando os níveis de dióxido de carbono são elevados, porque é que não há nas salas de espera dos centros de saúde, onde somos obrigados a estacionar o corpo por tempo indeterminado.
Os minutos passam e lá ficamos nós, à espera, à mercê da bicharada, de mãos nos bolsos, a reduzir a respiração ao máximo: inspirações pouco profundas, sempre pelo nariz e apenas para garantir os níveis mínimos de oxigénio no sangue.
Quando olho para as pessoas que esperam nestas salas, vejo uma áurea de microorganismo potencialmente perigosos ao redor. Distância mínima de segurança: um metro. Se o espaço se confinar a 13 m2, com 11 pessoas lá dentro, é aconselhável abandonar o local.
Na saída, enquanto esperamos em pé, a situação piora ao cruzarmo-nos com alguém conhecido, que faz questão de selar o encontro com um aperto de mão ou dois beijinhos na cara. Hello! Estamos em guerra, em campo inimigo e sobre ataque cerrado da bicheza, não é altura nem lugar para cumprimentos. Põe a tua máscara e espera pelo melhor... Pode ser que sobrevivas.
- Senhor "Eu" ao gabinete 14 - ouve-se no intercomunicador que, por estar naquela sala, exposta a tudo o que é bicho, já tem uma voz anasalada crónica.
Entro no gabinete e a médica pergunta:
- Há mais alguém na sala de espera?
- Há, tchiiiim!
Não é vintage nem clássico, é velho
segunda-feira, fevereiro 22, 2016
As lojas de roupa
terça-feira, fevereiro 16, 2016
Quando vou às lojas de roupa com a minha cara metade, divirto-me a observar os homens que vão às lojas de roupa com as mulheres.
Publicidade enganosa
terça-feira, fevereiro 16, 2016
Abrir a janelas
segunda-feira, fevereiro 15, 2016
Há janelas e janelas e nem todas as janelas são boas janelas. Não falo do tamanho ou da forma: se são pequenas ou grandes, apertadas ou largas... Falo da vista, daquilo que se vê quando se abre a janela.
Reino animal
domingo, fevereiro 14, 2016
Diz alguém, a propósito do bebé de 5 meses, que está com o olhar fixo na televisão:
- Ele não consegue ver, pois não? Com esta idade, eles vêem como os gatos...
Diz um outro, do gato que vai fazer o chichi à caixinha de areia:
- Ao segundo dia, percebeu logo. É super inteligente!
Vejo com frequência o BBC Vida Selvagem, mas há coisas que continuo a não entender no reino animal.
Rating é o melhor remédio
sábado, fevereiro 13, 2016
Hoje, jantamos juntos.
quinta-feira, fevereiro 11, 2016
A vida não lhe tinha dado filhos, mas acreditava na vida como ninguém. Desejou-os com todas as forças que tinha, na altura que os podia ter. A força que fez a desejá-los chegava para três partos, mas nem um experimentou.
Mais GOOORDO!
quarta-feira, fevereiro 10, 2016
Há várias maneiras de nos dizerem que estamos mais gordos e raramente é utilizada a forma mais simples de todas: "estás mais gordo".
Foliona
terça-feira, fevereiro 09, 2016
O resto do mundo não vale Nata
terça-feira, fevereiro 09, 2016
Apenas Portugal consegue produzir Pastéis de Belém , Ovos Moles e Pudim Abade de Priscos.
Enquanto espero
terça-feira, fevereiro 09, 2016
É como na banda desenhada, mas com menos cor. Basta parar um bocado a observar pessoas e ponho-me a imaginar tiras de banda desenhada, com balões por todo o lado.
O degrau pequeno que tinha um coração grande
domingo, fevereiro 07, 2016
Ontem, ao passar por uma porta onde passo muitas vezes, ouvi um grito em surdina que me fez parar. Olhei para trás, direita, esquerda e nada. Não vi ninguém, mas alguém voltou a gritar muito baixo.
Quanto vale metade?
quinta-feira, fevereiro 04, 2016
Não foi nada, obrigado… Fui eu que tropecei!
quarta-feira, fevereiro 03, 2016
Preto, preto, branco... Preto, preto, branco... Salta para o rosa. Uéééé... Agora só se podem pisar os quadrados… Contorna, vira, vira… Salta. O que é isto? Sou eu a brincar na calçada portuguesa. Quem na infância nunca brincou na calçada portuguesa que atire o primeiro paralelepípedo.















