A senhora da massa quebrada
domingo, abril 24, 2016
Adoro esta massa quebrada fresca do Continente.
Quem olha para ela, nem diz que é caseirinha, amassada e enrolada pelas mãos de uma senhora velhinha, que trabalhou como contínua, durante muitos anos, numa escola aqui da zona.
As pessoas que falam em origami
quinta-feira, abril 21, 2016
Aquelas pessoa que, ao contarem um episódio, desdobram tanto a estória em pormenores e descrições que perdem a atenção do ouvinte.
Vem aí chuva...
quarta-feira, abril 20, 2016
Devíamos conseguir antecipar os dias nublados na nossa vida como no boletim meteorológico. Assim, dava tempo para calçar umas galochas e vestir uma boa gabardine para o que desse e viesse.
O Silva, o Santos e os papéis
sábado, abril 16, 2016
Se sair de casa bem cedo, o Santos consegue evitar o trânsito e fazer a viagem de ida e volta em menos de duas horas. O segredo é mesmo esse, evitar: o trânsito, as filas e a hora de ponta.
Só não vê quem não quer
quinta-feira, abril 14, 2016
O que faço para o jantar?
terça-feira, abril 12, 2016
Todos os dias, arranjamos esquemas para ensaiar uma resposta que nos pareça a ideal para esta incógnita constante. Eu já cheguei a apontar uma lista de pratos e a fazer uma selecção diária aleatória. Depois de calhar uma semana seguida bacalhau com grão, decidi pôr a ideia de molho.
Agora, uso uma das seguintes técnicas: vejo sites de culinária, à procura de uma ideia; vou ao corredor dos livros e folheio os de receitas ou vagueio simplesmente pelos corredores do supermercado, à espera que um ingrediente me inspire espontaneamente.
Tudo acontece de forma espontânea quando me apetece uma iguaria qualquer. Nesses dias, a vontade que me sobra em comer, falta-me no fazer. Muitas vezes, é isso que nos apetece: não fazer nada e ter a comida já prontinha para levar à boca, numa receita que tem mais de comer fora, que cá dentro.
Depois, há os raros dias em que até temos vontade de preparar um petisco. Nesses dias, terminamos a refeição tão satisfeitos, que a falta de vontade sobra para o arrumo da cozinha. As cozinhas deviam ter um sistema de pirólise geral... No final da refeição, bastava meter os guardanapos no lixo, fechar a porta e esperar que a limpeza a 400 graus fizesse o resto.
De resto, não me venham com crises de meia idade, relações extra-conjugais ou inadaptação à convivência no lar... O verdadeiro problema dos casais, no século XXI, é o dilema sobre a ementa para o jantar.
Para mim e para a minha cara metade, que somos um casal novo, fiel, adaptado e com fome ao fim do dia, esse é o único problema. Quando um se lembra de lançar para discussão a fatídica pergunta, o outro livra-se da resposta com um enigmático: "That, is a good question!"
É, de facto, uma boa pergunta... Tão boa, que todos os dias procuramos uma nova resposta, porque a do dia anterior já não nos deixa satisfeitos. Dia a dia, mudam as variáveis, mas a incógnita é constante...
E amanhã, o que vai ser o vosso jantar?
A lista de desejos da Lizzy
segunda-feira, abril 11, 2016
Falar com o Papa Francisco deve fazer parte da lista de desejos de muita gente, crentes e não crentes, mas só uma pequena parte consegue concretizar esse desejo. A Lizzy, uma menina de cinco anos, norte-americana, conseguiu este raro privilégio, quase tão raro quanto a doença genética que tem e que a levará, progressivamente, à surdez e cegueira totais.
Ela ainda não o sabe, garantem os pais que, perante o diagnóstico cruel, pediram à filha uma lista de desejos do que gostava de fazer. A língua inglesa tem um termo específico: “bucket list”, que é uma espécie de inventário de coisas que gostávamos de concretizar antes de morrermos. Da lista de causas que a doença genética provoca, nenhuma delas fala em morte, daí que os pais lhe tenham dado o simpático nome de “visual bucket list”.
Algures no topo da lista, estava o desejo de conhecer pessoalmente o Papa. Perante uma doença tão “periférica”, Francisco prontificou-se, desde logo, par receber a menina. Foi em plena Praça de São Pedro, no Vaticano, que se deu o encontro. O Papa baixou-se, encostou a cara à Lizzy e conversou com ela. Depois, abençoou-a, passando as mãos pelos olhos.
No final, os pais, emocionados, diziam acreditar num milagre. Não é preciso ser-se crente para acreditar em milagres, basta ser-se pai. Aqueles, para além de pais, têm fé.
Porque o tempo de ver o mundo se esgota, antes de estar com o Papa Francisco, a Lizzy vinha de concretizar um outro desejo, o de visitar o Observatório Astronómico de Mansfield, nos Estados Unidos da América, onde lhe deram um pedaço pequenino de meteorito. Foi essa a prenda que ofereceu ao Papa, no final do encontro.
No dia em que fala com uma das pessoas mais carismáticas do mundo actual, uma criança de cinco anos leva uma prenda que lhe deram de presente: um fragmento do que andou a vaguear pelo espaço, até vir visitar a Terra... É como se fosse um bocadinho de estrela cadente.
Para mim, a prenda que a Lizzy levou ao Papa foi simplesmente a visita que lhe fez... O meteorito era para nós, para nos lembrarmos que a nossa lista de desejos nunca estará completa enquanto não acreditarmos em milagres. São raros, mas existem, mesmo ao nosso lado, nós é que estamos cegos.
Mais sobre a história da Lizzy aqui: http://goo.gl/BZmkXu
© Foto: DR
Os opostos também se perdoam
sábado, abril 09, 2016
Em muitas histórias, os nomes são personagens secundárias, sobretudo quando o enredo é principal. Nesta história, porque é verdadeira, vou começar pelos nomes.
A outra margem
sexta-feira, abril 08, 2016
O botão do snooze
quinta-feira, abril 07, 2016
No mundo dos narizes
quarta-feira, abril 06, 2016
O tempo é como o algodão
segunda-feira, abril 04, 2016
As malas das mulheres
quinta-feira, março 31, 2016
O pingo e o peixe
quarta-feira, março 30, 2016
Silêncio que se vai ouvir o coração
terça-feira, março 29, 2016
Um dia e um bolso
segunda-feira, março 28, 2016
Qual é o tamanho de bolso ideal para levarmos connosco tudo o que queremos? Deve ser o mesmo que o do dia ideal, para que não deixemos nada em falta.
Estes dias compridos do horário de Verão são como um bolso grande, onde tendemos a levar cada vez mais coisas. Hoje, por exemplo, deixei-me levar pelo tamanho do dia e saí do trabalho já era quase noite.
Já os dias de Inverno, que são do tamanho de uma edição de bolso, tenho a sensação que os ocupo com menos tralha. Em compensação, com os casacos que visto, fico com bolsos a mais, que acabam cheios de cacarecos, ao fim do dia.
Os dias e os bolsos deviam ter um tamanho único, ideal para os ocuparmos apenas com as coisas que nos são essenciais. Preciso de uma algibeira onde possa guardar horas para aquilo que realmente importa e, no que toca a bolsos e dias, o tamanho importa realmente.
Passar à frente, olhar de lado e fica atrás
sexta-feira, março 25, 2016
À beira da entrada da churrasqueira, ao fundo, uma senhora apressa o passo para entrar primeiro que eu. Consegue, até porque, ao perceber aquela pressa desabrida, fingi enganar-me na porta, só para confirmar a indelicadeza da atitude.
Fosse a dita dada à regra da boa etiqueta e ter-me-ia indicado a entrada, com um simpático "faça favor, você chegou primeiro". Mas não, não só fez questão de entrar em primeiro, numa correria desajeitada, como se dirigiu prontamente ao expedidor de tickets, para garantir que fazia o seu pedido primeiro que eu.
Ficou com o 19 na espera e com um zero em civismo. Eu fiquei com o 20 e com a esperança que o mundo lhe desse uma lição, numa outra altura, num outro lado.
Do outro lado do balcão, chamam pelo número dela e a lição foi dada logo ali.
- Queria um frango e meio, sem piripíri! - Diz ela, sem pedir por favor.
Depois de cortar o primeiro frango, a funcionária vai buscar uma outra metade, que estava guardada numa gaveta do assador, fria, imagino eu, como os bons modos da senhora, que pergunta num tom indignado:
- Essa metade não está fria?
- Não, foi cortada ainda há pouco. - Responde a funcionária, já a trinchar a metade do bicho.
- Número 20. - Chama uma outra.
- Sou eu... Queria um frango e meio, por favor.
- Ó Ana, há aí alguma metade? - Pergunta à colega.
- Não... Podes cortar daquele que acabou de assar agora.
A senhora que me passou à frente fica a olhar de lado e a pensar que teria sido melhor se tivesse entrado atrás de mim.
Hoje, desliguei-me do mundo
terça-feira, março 22, 2016
Hoje, resolvi não ver televisão. Quando tive tempo para a ligar, não o fiz, fui dar uma volta lá por fora. Não sei se é do mundo girar, mas adoro andar por aí às voltas.
Sabe bem caminhar em dias como este, em que se sente o mundo a espreguiçar de um sono hibernal. Não há como os primeiros dias de Primavera para se sentir o palpitar da vida que renasce.
Também não me liguei à internet. Hoje, quem não se liga à internet é como se não existisse para o mundo. Liguei-me a ele pelos pés na volta que dei e foi como se ele existisse só para mim. Andei por aí, armado em Alberto Caeiro, a pastar os olhos pela natureza, e em ignorante, a desligar-me do que se passa à minha volta. Sabe bem ser ignorante quando se pode ser pastor.
Quando caminho, gosto de ouvir rádio, mas hoje nem a telefonia liguei. Não ouvi o tempo, mas vi que choveu da terra, logo pela manhã, na erva nova que cresce nos campos e que se encheu de gotinhas. Baixei-me rente ao chão, semicerrei os olhos, e vi o sol em cada uma delas. Para resumir o quadro, até lhes tirei esta fotossíntese. Dá para ver o azul do céu e o amarelo do sol misturados no verde do pasto.
Nem sequer li jornais. Andei por ai, como se fosse amanhar a terra, mas sem enxada ao ombro. Só levei os olhos e com eles comi o mundo e li-o de fio a pavio.
Hoje, desliguei-me do mundo e do Inverno frio que lhe vai dentro dos corações. Foi bom dar uma volta lá por fora, onde a Primavera me fez continuar a acreditar que a vida há-de sempre renascer.
Não é um abrigo
segunda-feira, março 21, 2016
Não, não é uma árvore, é um abrigo.
Este abrigo chama-se carvalho, mas não é uma árvore. Este carvalho já deu de comer a animais, já serviu de sustento para os ninhos de outros, já deu sombra nos dias de sol e aqueceu nos dias frios de Inverno, na lenha das braças que iam caindo… Já alimentou, amparou, acolheu e aconchegou, é por isso que não é uma árvore, mas um abrigo.
Mesmo durante o Inverno, despido, é o espelho da raiz que o sustenta: forte, firme e seguro. Um verdadeiro porto de abrigo.
Agora, nos primeiros dias de Primavera, rebenta de alegria com as nuvens branquinhas que se espalham num fundo de céu azul, que ora o cobrem com um manto de sombra, ora com o quentinho do sol. E ele ali fica, feliz da vida, deixando os que ele alimenta, ampara, acolhe e aconchega, felizes pela vida.
Hoje, é o Dia da Árvore e o dia em que a minha cara metade celebra mais uma Primavera… Não, não é uma árvore, é um abrigo.
Este abrigo chama-se carvalho, mas não é uma árvore. Este carvalho já deu de comer a animais, já serviu de sustento para os ninhos de outros, já deu sombra nos dias de sol e aqueceu nos dias frios de Inverno, na lenha das braças que iam caindo… Já alimentou, amparou, acolheu e aconchegou, é por isso que não é uma árvore, mas um abrigo.
Mesmo durante o Inverno, despido, é o espelho da raiz que o sustenta: forte, firme e seguro. Um verdadeiro porto de abrigo.
Agora, nos primeiros dias de Primavera, rebenta de alegria com as nuvens branquinhas que se espalham num fundo de céu azul, que ora o cobrem com um manto de sombra, ora com o quentinho do sol. E ele ali fica, feliz da vida, deixando os que ele alimenta, ampara, acolhe e aconchega, felizes pela vida.
Hoje, é o Dia da Árvore e o dia em que a minha cara metade celebra mais uma Primavera… Não, não é uma árvore, é um abrigo.




















