Abrir a janelas
Há janelas e janelas e nem todas as janelas são boas janelas. Não falo do tamanho ou da forma: se são pequenas ou grandes, apertadas ou largas... Falo da vista, daquilo que se vê quando se abre a janela.
Há janelas pequenas de onde se vê muito e janelas grandes, que mostram muito pouco.
Interessa-me mais se a janela se mostra para o lado de lá.
Há janelas que têm vidros tão baços que nem dá para ver nada, outras há, que por serem abertas tão poucas vezes, custam a abrir, de tão perras que estão.
Há ainda janelas que nunca foram abertas simplesmente porque não se tem curiosidade de saber o que está do outro lado.
Uma janela que esteve sempre fechada nem se pode chamar de janela.
As janelas foram feitas para se abrir para o mundo que está do lado de lá.
Há janelas e janelas e nem todas as janelas são boas janelas. E não o são porque, ao não se deixaram abrir, perderam o mundo e o encanto de ser janela. Abertas para o lado de lá, arriscam-se a partir um vidro, mas esse risco faz parte de se ser janela.
Gosto muito de janelas e, se pudesse, transformava-as todas em corações. É isso que vou fazer... E vou começar já por este texto.
FOTO: "Vidro partido" @ DCA


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